Seu RH realmente faz parte da estratégia da empresa?

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Há muitos anos convivo com profissionais da área de Recursos Humanos e por diversas vezes escuto o mesmo discurso sobre a incapacidade das organizações de utilizar a área estrategicamente, e não apenas como um plano B onde somente são requisitados quando a situação está prestes a desabar.

Não se trata de um equívoco completo, pois os principais executivos das empresas de forma geral ainda precisam aprender muito sobre como utilizar da expertise dos profissionais de gente para o seu negócio.

Mas, entendo que em contrapartida existam áreas de RH que se acomodam a este cenário tornando-se tradicionalistas e que simplesmente querem cotidianamente tocar o barco independente da maré.

Não conto uma novidade quando digo que as empresas mudam conforme suas interações com o ambiente e que estas relações podem transformá-la, o que significa que a energia, o engajamento e a competência de seus profissionais serão determinantes na definição dos rumos que a empresa irá tomar e dos resultados que ela vai alcançar.

Logo, o RH tem fundamental importância para que qualquer transformação seja realizada com sucesso, mas sabemos que mostrar o valor da área não é uma tarefa muito fácil.

Embora muitas empresas ainda não tenham percebido, a inovação está tomando conta das empresas e não há motivos para não seguir esta nova onda que conquistam os clientes e também os profissionais. Fato é que a área de Gestão de Pessoas é uma área de extrema importância neste ecossistema e precisa entender o seu papel transformador.

Mas ok, como podemos fazer isto?

Considerando o fato de que estamos construindo uma nova era que envolve tecnologia e inovação, uma das primeiras tarefas é identificar o quão engessada é a atuação da área através de redesenho de processos, pesquisas internas e análise de produtividade, por exemplo.

Transformar-se em uma área moderna, ágil e flexível não é uma tarefa fácil, mas necessária, e esta mudança pode alterar a forma como seu RH é percebido. Considerando o que falamos sobre o potencial das pessoas de gerar transformações, ter aliados internos para garantir esta mudança é fundamental.

Outro ponto importante é analisar o quão próxima as estratégias da área estão com relação ao negócio. Quando falamos de negócio, nos referimos não apenas ao core business, mas do fundador/presidente/CEO. A atuação da área de RH deve estar alinhada integralmente com o negócio e isto é um fator de sucesso incrível.

Algumas perguntas importantes são:

  • Será que conheço os objetivos estratégicos do negócio?
  • Será que entendo as diretrizes estratégicas do principal executivo?
  • Conheço o estilo de liderança deste executivo e trabalho conforme seu mindset?

Além disso, é importante estar antenado sobre as mais diversas práticas de pessoas no mercado. Pergunte-se, será que a forma como atualmente trabalhamos é eficaz? Será que o meu cliente interno (os colaboradores) sentem-se confortáveis com o resultado que geramos? Se somos uma área de gente, porque não estamos alinhados com o perfil do nosso público? O que precisamos fazer para gerar mais engajamento e produtividade?

Existem formas diferentes de se fazer a mesma coisa, mas que geram resultados consistentemente diferentes, e talvez mais eficazes do que as práticas que adotou até o momento.

Desapegar de ideias e personalizar o conhecimento e práticas ao negócio, é um hábito pouco difundido entre os profissionais e muito necessário para testar nosso potencial de atender às reais demandas do negócio.

 

Que tal medir nossos resultados, para variar?

 

Outro ponto super relevante é não se colocar no lugar de “área com resultados intangíveis”. É sim, possível, mobilizar estatisticamente indicadores que demonstram a eficiência da área em relação as estratégias da organização.

O problema é que muitas vezes quando pensamos em soluções para as demandas da organização, não nos planejamos para medir o valor que geramos com esta demanda.

E isso nos torna frágeis sob o ponto de vista de retorno do investimento quando falamos no final do mês de resultados tangíveis gerados.

Por fim, cito uma máxima da área muito falada, mas pouco aplicada: “Gestão de Pessoas não é com o RH”.

Entende-se que o ideal seria que as lideranças estivessem capacitadas para gerenciar sua equipe com excelência, mas ao invés de investirem seu tempo na formação destas lideranças, os profissionais de RH ainda insistem em sobrecarregar a própria equipe fazendo o que na verdade deveria ser papel do gestor de cada área, o que nos torna operacionais e mais longe das questões estratégicas.

É importante que os profissionais de Recursos Humanos se façam agentes de mudança nas empresas, provedor de conhecimentos, ferramentas e desenvolvimento das pessoas para que elas gerem valor para a organização, e entendam que sim, nosso trabalho é altamente de “bastidores”, o que o torna de fundamental relevância para o crescimento do negócio através das pessoas.

About Jessica Martins

Jessica Martins é Psicóloga, possui background de 10 anos em RH e atualmente é responsável pela Unidade de Negócios de Gama Academy em Belo Horizonte.